Fred Schaeffer, OFS
Muitas pessoas, católicas ou não, procuram ansiosamente por milagres. Pouco tempo atrás a imagem inexplicável de Maria em uma janela de escritório atraiu multidões. Outros supostos milagres, ainda não reconhecidos pela Igreja Católica, relacionados, sobretudo, à cura de doenças, também são bastante comentados. Se tanta gente almeja milagres, por que tão poucas pessoas vão à missa para receber Jesus na Eucaristia? Esse é o maior milagre de todos os tempos. Em cada altar, em cada Igreja Católica Romana, Jesus vem até nós sob a simples forma de pão e vinho.
A fim de dar a Ele nossa maior atenção, devemos nos preparar mentalmente, ainda em casa, em jejum, antes mesmo de recebê-lo em Corpo e Sangue. Uma parte desta meditação ou oração seria reconhecer que temos pecado e que devemos procurar sempre ser um filho ou filha leal ao Pai. E assim, com a paz derivada desta preparação, ir para a Igreja, com o coração e a mente abertos.
Seja respeitoso quando entrar na casa de Deus e gentil com os outros na rua e, ao entrar numa Igreja ou Capela, faça reverência enquanto faz o sinal da cruz. Mais uma vez, peça perdão. Você pode cumprimentar quem estiver presente na celebração, mas não é momento para uma longa discussão sobre os eventos esportivos da noite passada. Siga as orações, as leituras e o Evangelho com muita atenção. Ouça a homilia, mesmo que você já tenha ouvido milhares de vezes. No momento da consagração, o pão e o vinho tornam-se Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, por que procurar por milagres sendo que temos, constantemente, o maior milagre entre nós? Eu não sei. Parece que algumas pessoas olham para o sensacional. Eu encontro a presença de Jesus em minha vida naquilo que muitas vezes não pode ser tocado. Por que as pessoas buscam aparição espetacular? Porque, muitas vezes, não consideramos suficiente dizer “eu te amo e te adoro, Senhor” e continuamos a pecar. Toda vez que pecamos, deixamos um pouco mais profundos os pregos cravados nas mãos e pés do Senhor Jesus. Sim, apesar de vivermos pelo menos 2000 anos após o caminhar de Cristo pelo Oriente Médio, em Israel e na Palestina, os nossos pecados, hoje, contribuem para sua santa morte na cruz. E graças à sua crucificação, Ele nos redimiu, de modo que aqueles que se esforçam para viver uma vida sem pecado, podem entrar no Reino do Céu. Receber Jesus na Sagrada Comunhão, enquanto estamos em estado de graça, certamente significa proteção para nossa vida num mundo cada vez mais cheio de obstáculos.
Não há dúvida de que a vida é um desafio, mas com a ajuda de Jesus podemos nos tornar pessoas santas, mesmo aqui na terra. A santidade é evidenciada pela gentileza, consideração, humildade, obediência e todas aquelas coisas que mostram que vivenciamos o Evangelho. Agindo assim você evita, inclusive, que os outros digam que você é uma pessoa sempre irritante ou irritável. Se você é muito criticado, é hora de fazer uma boa revisão pessoal. Assim como se revisa um carro é hora de começar seu próprio conserto. Um retiro de silêncio pode ser maravilhoso para se concentrar mais uma vez em Jesus e na vida que Ele deseja que tenhamos. Então fale com um padre, ou mesmo com um bom amigo e volte para a paróquia com o espírito renovado, com um sorriso no rosto.
A vida é difícil, mas devemos vivê-la pautados por Jesus, tentando seguir o Evangelho como Ele quer façamos. Ser alegre, contar e rir de uma piada de vez em quando, o riso é ótimo remédio. Mas não é aquele riso provocativo por alguns quadrinhos ou programas inadequados que se vê na TV nos dias de hoje. É o riso da alegria que sentimos porque Deus está presente.
No próximo domingo vá à Igreja. Se você foi batizado e há muito tempo não participa da santa missa, confesse-se com um padre. Ele vai se alegrar, pois, você mais uma vez abraçou Jesus como seu Senhor e Mestre. Então, não tenha medo, Jesus está presente.
Quando estiver com a alma livre de todos os encargos será capaz de receber Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tornando-se uma pessoa alegre de novo. O maior milagre está no Santíssimo Sacrifício da missa.
(Fonte: Jornal de Opinião de 1º a 7/11/2010) |